quarta-feira, 20 de junho de 2012

Sem mais dores de cabeça

Uma nova cepa de leveduras eliminará as reações alérgicas desencadeadas pelas aminas. Graças à ajuda de leveduras geneticamente modificadas, consumidores de vinho podem brevemente serem capazes de beber sem o risco de dores de cabeça, hipertensão ou enxaqueca.

Desenvolvida na Universidade da Columbia Britânica essa nova cepa produz menos aminas, um produto encontrado em vinho tinto e na Chardonnay conhecido por provocar reações indesejáveis.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um pouco sobre os vinhos da Africa do Sul



Nas duas ultimas décadas houve grandes avanços e progresso na industria vinícola sul africana. Em meados da década de 80 o uso de novos e semi-novos barris de carvalhos passou a ser bem difundido pelos grandes produtores, para o envelhecimento dos vinhos tintos e em pequena escala para os vinhos brancos. As pragas, que sempre foram uma fonte de preocupação para os viticultores, foram totalmente controladas, se não dizimadas. As grandes vinícolas aderiram ao programa de replantio de suas vinhas, com a finalidade de aumentar a qualidade das cepas e consequentemente produzir vinhos de excelente qualidade.

Essa época marca a entrada da África do Sul, como um dos representantes dos vinhos do Novo Mundo, produzindo vinhos mais acessíveis logo após o lançamento, em vez de vinhos que exigem um longo prazo na adega.

O ajustamento com acido tartárico raramente é aplicado. Os chardonnays já não passam muito tempo em contato com o carvalho, a introdução da fermentação malolática trouxe uma nova dimensão aos estilos produzidos.

Os produtores adotaram praticas mais modernas de viticultura, um fator muito negligenciado no passado. Atualmente uma vinícola não entra em produção sem que estudos científicos de no mínimo dois anos sejam realizados, tais como, identificação do solo, condições climáticas predominantes, cepa e enxerto compatíveis um com o outro, a compatibilidade de ambos com o solo, necessidade de irrigação, entre outros fatores. O Conselho de Pesquisa Agricultural Nietvoorbij, hoje de renome internacional, ee um dos grande responsáveis por essas mudanças.

Outro fator essencial para a ascensão do vinho sul africano foi a conscientização dos produtores locais com a própria identidade do vinho do Cabo. Atualmente o Cabo já não se preocupa em copiar o estilo de "terroir" da Franca, Austrália ou Califórnia. O vinicultor local se deu conta que o Cabo tem o potencial de produzir o seu próprio estilo e competir com sucesso no exterior.

Porem, a industria vinícola sul africana ainda não se deu satisfeita com o sucesso alcançado nesses últimos anos. Os grandes vinicultores continuam experimentando, seja na vinícola ou dentro da adega, em busca de melhor qualidade e consistência.

A tendência ee a produção de vinhos saudáveis com menos aditivos e manipulação possíveis. O resultado não poderia ser outro. Novas vinícolas tem aberto as portas a cada ano e aquelas já bem estabelecidas, tem colocado vinhos de grande expressão no mercado.

As cepas predominantes no momento, denominadas "cepas nobres" ou "the big 6" são: Cabernet Sauvignon(5,1% das vinícolas sul africanas), Merlot(2,2%), Shiraz(1,3%), Pinotage(um híbrido do Pinot Noir + Cinsaut 3,9%), Sauvignon Blanc(4,8%), Chardonnay(4%). Outras cepas de destaque são: Chenin Blanc(a cepa mais versátil e plantada no pais com 26,8%), Colombard(10,9%), Semillon(1%), Muscat(5,3%), Weisser Riesling(0,8%), Cinsaut(4,1%), Cabernet Franc e Pinot Noir em ascendência.

A grande maioria das vinícolas são abertas ao publico, algumas oferecem uso de dependências como restaurantes, centro de convenções, teatro arena, alem da degustação dos vinhos da fazenda. Os vinhos podem ser comprados diretos da fazenda, cujos preços variam de US$3 a US$20,00 dólares.

Os grandes expoentes entre as vinícolas da África do Sul que produzem vinhos de qualidade e consistência são:

Na região de Constantia (zona urbana da Cidade do Cabo)

- Buitenverwachting - sinônimo de finesse e elegância. O replantio das vinhas no começo da década de 80, trouxe altos dividendos para essa vinícola. Ela se especializa na produção do Christine(blend), Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Chardonnay e Merlot. O segundo rotulo da fazenda Buiten Keur(tinto) e Buiten Blanc(branco) são também de alta qualidade.

- Klein Constantia - uma vinícola bem eclética. Sauvignon Blanc, Chardonnay, Semillion, W. Riesling, Cabernet S., Shiraz, Pinot Noir, Marlbrook(blend) são produzidos. Porem, a vinícola ficou famosa por produzir o legendário Vin de Constance, um vinho de sobremesa, favorito de Napoleao Bonaparte quando no exílio na ilha de Santa Helena, e também o ponto fraco do Madiba (Presidente Mandela). Recentemente a publicação francesa Les Plus Grands Crus du Monde incluiu o Vin de Constance entre os 44 grandes rótulos do mundo. No ano passado fez parte do Primeiro Annual Decanter Great Winemaker Dinner no hotel The Ritz em Londres.

- Na região de Stellenbosch( a grande concentração das melhores vinícolas sul africanas, 45 km da Cidade do Cabo) - Warwick - A canadense Norma Ratcliffe ee uma das poucas mulheres vinicultoras do pais. A vinícola se especializa em Pinotage, Cabernet Franc, Trilogy(blend) e Cabernet Sauvignon.

- Thelema - essa vinícola faz parte da elite reconhecida internacionalmente. O vinicultor, Gyles Webb, foi um dos convidados para uma palestra do evento mais prestigiado dos EUA, o Wine Spectator's New York Wine Experience. Um dos melhores exemplares de Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay e Sauvignon Blanc são produzidos nesta vinícola. Os vinhos depois de lançados no mercado não duram nas prateleiras. Cansado de receber tantas encomendas por telefone, em um desses telefonemas ele respondeu: "Desculpa, nem que fosse pra Rainha da Inglaterra eu poderia suprir o meu Sauvignon Blanc". A pessoa do outro lado da linha respondeu:

"Mas é pra Rainha mesmo". A pessoa que encomendou o vinho estava organizando o ultimo jantar oficial da Rainha Elizabeth durante a visita dela na África do Sul!

- Grangehurst - o vinicultor Jeremy Walker ee um dos grandes artesãos da industria. Essa será apenas a 6 colheita dessa "wine-boutique", porem, todos os lançamentos são de dar água na boca. Cabernet Sauvignon, Pinotage e Cabernet-Merlot blend são os vinhos produzidos. Produziu em 93 um dos poucos vinhos a receber cinco estrelas dos críticos locais, o Cabernet-Merlot blend.

- Stellenzicht - a reputação do vinicultor Andre Van Rensburg: "tudo o que ele toca vira ouro". Sem duvida o vinicultor mais premiado no pais nos últimos anos. Ele experimentou todo tipo de cepa com muito sucesso. Em 94 ele produziu um shiraz (Syrah 94) que deu muita polemica na África do Sul. Os críticos locais concederam apenas uma medalha de prata no concurso Veritas a esse vinho. O vinho no exterior bateu os melhores shirazes australianos e franceses. Era vendido a US$30,00 a taça no hotel Waldorf-Astoria em Nova Iorque. O vinicultor em busca de outros desafios mudou para a vinícola Vergelegen.

- Kanonkop - o vinicultor Beyers Truter tem o titulo de o Rei da Pinotage do pais. Ultimamente ele esta a frente de uma comissão para introduzir essa cepa no cenário mundial, que já ee plantada na Califórnia, Nova Zelândia e Zimbabwe. O Cabernet e o Paul Sauer(blend) são outros vinhos produzidos nessa vinícola. Beyers também ee responsável pelo vinho produzido na vinícola Beyerskloof, o Cabernet e o Pinotage.

- Vergelegen - os experts estão de olho nessa vinícola. Uma das adegas mais modernas do pais, apesar das vinhas ainda jovens, tem produzido Sauvignon Blanc, Chardonnay e Merlot de alta qualidade. Um dos grandes vinicultores do pais, Andre Van Rensburg, recentemente tomou posse da adega.

- Lievland - tem produzido excelente Shiraz e DVB(blend). O segundo rotulo da vinícola Lievlander recebeu um cinco estrelas da Decanter numa competição onde mais de 100 cabernet e cabernet blend sul africanos participaram em Londres.

- Mulderbosch - um dos mais consistentes Sauvignon Blanc e Chardonnay do pais. O blend produzido na vinícola, Faithful Hound, vem melhorando a cada ano.

- Meerlust - uma das vinícolas mais tradicionais do pais, nas mãos do vinicultor italiano Giorgio Dalla Cia, produzindo primeira classe Merlot, Rubicon(blend), Pinot Noir e em 97 o primeiro Chardonnay da vinícola após 10 anos de experiência interna. Ainda em 97 Meerlust lançou a primeira grappa sul africana.

Na região de Paarl (60 km da Cidade do Cabo)

- Backsberg - extremamente dinâmi ca, mais conhecida pela alta qualidade e baixos preços dos vinhos produzidos. Uma vinícola versátil, plantando vários tipos de cepa, as quais se sobressaem o Cabernet Sauvignon, Shiraz, Klein Babylonstoren(blend), Chardonnay e Chenin Blanc. Também produz excelente "brandy".

- Fairview - também no mesmo esquema da Backsberg. Uma vinícola que esta sempre inovando, criando diversos estilos diferentes de vinhos. Bom vinho, ótimo preço. Chardonnay, Merlot e Shiraz merecem atenção.

- Glen Carlou - outra elite internacional muito respeitada. Essa vinícola se especializa no Grande Classique(blend), Chardonnay e Pinot Noir. Deu uma nova dimensão ao Chenin Blanc sul africano nos últimos anos. O "vinho do porto" feito da touriga nacional + tinta barroca + tinta roriz tem ganhado muito destaque.

- Veenwouden - outro grande artesão da industria, Marcel van der Walt. Marcel é um discípulo de Saint Emilion e Pomerol, onde ele estagiou por vários anos. Ainda na quinta colheita, essa vinícola tem batido recorde de consistência, mesmo na pobre safra de 96, que deixou muito vinicultor a desejar. A vinícola produz Merlot, Veenwouden Classique(blend) e o segundo rotulo Vivat Bacchus.

Na região do Overberg ( a região numero I do pais em termos de condições climáticas)

- Hamilton Russel e Bouchard Fynlaisson são duas vinícolas que produzem os melhores Pinot Noir da África do Sul. O Chardonnay ee outra cepa de qualidade nessas duas vinícolas.

Alem das vinícolas acima mencionadas, outras gozam de grande destaque internacional, a maioria situadas na região de Stellenbosch. A África do Sul também produz excelente Sherry e Vinho do Porto, os quais ultimamente vem sofrendo muita pressão do Mercado Comum Europeu para omitir os nomes Sherry e Port de seus rótulos. Seguindo o exemplo do Champagne, que na África do Sul ee chamado de Methode Cap Classique ou Sparkling Wine, Espanha e Portugal alegam que os rótulos originariam competição no mercado internacional.

Os "sparkling wines" mais cotados:

- Graham Beck, JC Le Roux, Pierre Jourdan, Pongracz, Villiera and Twee Jonge Gezellen Krone Borealis.

Os "sherry" mais cotados:

- Os produzidos pela KWV, Bertrams e Monis.

Os "port" mais cotados:

- Boplaas, Bredell, Die Krans, Glen Carlou, Landskroon e Overgaauw.

Fonte: ABS online

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Dicas de bebidas para não errar na sua festa


Quando falamos em festas, comemorações de casamento, formaturas e aniversários costumamos  nos preocupar em oferecer a nós mesmos e aos nossos convidados o que há de melhor para esse dia tão sonhado, organizado e pensado cuidadosamente nos detalhes, muitas vezes com anos de antecedência, com a intenção de compartir nossa sincera  dose de alegria com pessoas próximas, escolhidas criteriosamente para que compartam e guardem consigo esse momento de felicidade.

Nós como profissionais também temos essa preocupação para que todos possam desfrutar ao máximo este momento, orientando nossos clientes para a melhor escolha das bebidas para sua festa.

Primeiro passo é a escolha da bebida que será servida. O ideal em festas é que nossos convidados se sintam a vontade para escolher sua bebida de preferência. Geralmente costuma-se servir bebidas não alcoólicas e bebidas alcoólicas, dentro das bebidas alcoólicas estão geralmente as cervejas, whiskys, coqueteis e o mais festivo e sofisticado de todas as bebidas, os Champagnes ou Espumantes.

Os espumantes são sempre sinônimos de alegria, nos remetem sempre a momentos e sensação de felicidade e nunca poderá deixar de faltar em ocasiões que tem com intenção transmitir isso, por esse motivo devemos ser criteriosos na hora da escolha, prezando sempre pela qualidade do produto e também levar em conta seu custo/benefício.

Numa comemoração, uma garrafa de espumante serve 3 pessoas. Essa estimativa deve ser seguida mesmo em festas cujos convidados não bebam álcool expressivamente, pois muitos curiosos aceitarão a bebida só para experimentar ou simplesmente para fazer um brinde ao casal, no caso de um casamento, ou um brinde a comemoração. Seguindo esse cálculo, as chances de faltar bebida são mínimas, mas… e se sobrar? Bem, para evitar que isso aconteça, a dica é consignar entre 30 e 50% da quantidade calculada.

Em uma festa, por mais que a comida esteja deliciosa e o DJ tenha sido muito bem escolhido, é a bebida que vai manter os convidados animados. Por isso, é importante escolher opções de boa qualidade e que agradem durante toda a festa. Nesse caso, o Champagne ou um espumante Brut é o mais indicado. Ele apresenta cor amarelo palha, geralmente o sabor é mais harmônico e tem um agradável frescor, que convida sempre ao próximo gole.

Os frisantes geralmente são as bebidas mais consumidas em eventos em nosso estado por terem o grau de álcool menos elevado e terem uma maior quantidade de açúcar residual, que torna a bebida mais doce e mais agradável aos paladares menos habituados a beber, porém com o passar das horas ele também pode se tornar enjoativo. Dentro dessa classificação se encontra o tão conhecido e consumido frisante italiano Lambrusco.

Finalmente o mais importante, provar. Selecione lugares de confiança, especialmente aqueles que já são especializados em espumantes para festa. No Rio Grande do Norte encontramos 2 empresas que investem na seleção desses espumantes nesse segmento que são a Terroir Distribuidora em Natal e em Mossoró a empresa Oeste Trigo.  Capriche um pouquinho nesta fase, valerá a pena no final e, enquanto isso você se deliciam com alguns golinhos e já comemora antecipadamente. Normalmente, o local em que você comprar não lhe cobrará as garrafas de prova, e ao final, compre o que gostar mais!

Boa Festa!!


Por Fabiana Dall'Onder


 



terça-feira, 8 de maio de 2012

Dom Pérignon inspira David Lynch


A safra 2000 foi marcada por um ano quente, onde as temperaturas estiveram abaixo da média apenas durante o mês de julho, onde fortes tempestades com grande quantidade de chuvas e até granizo poderiam ter devastado o delicado parreiral. Ao invés disso, as primeiras uvas Chardonnay colhidas em Champagne revelaram sabores complexos, amplos, com grande flexibilidade para o envelhecimento. Já as uvas Pinot Noir se mostraram mais estruturadas e ofereceram deliciosos sabores com longa duração.

Diferente das safras de grand crus anteriores, uma certa homogeneidade foi encontrada nas colheitas dos dois tipos de uvas, que mais tarde, conferiram ao champagne Dom Pérignon Rosé Vintage 2000 um equilíbrio clássico e bem definido.

 Diferente de outros champagnes Rosé, o Vintage 2000 não possui a coloração rosácea tradicional, exibindo tons únicos com um sutil toque oriental.

 Em uma parceria exclusiva entre a Dom Pérignon e o consagrado fotógrafo e diretor de arte David Lynch nasceu a campanha publicitária que reúne o melhor de dois mundos: a habilidade do trabalho artesanal em produzir um dos melhores champagnes Vintages do mundo e a excelência nos efeitos visuais e na fotografia.

Trabalhando em uma câmera escura em seu estúdio na Califórnia por dois dias, David usou sua imaginação e criatividade para captar momentos mágicos protagonizados por uma garrafa de Dom Pérignon Rosé Vintage 2000. Entre diversas poses, uma em especial foi selecionada para representar a campanha publicitária deste majestoso champagne.

Como todo champagne Dom Pérignon Rosé, a safra 2000 está sendo comercializada em edição limitada, refletindo a excelência da maison Dom Pérignon em produzir majestosos blends utilizando apenas as uvas Chardonnay e Pinot Noir mais excepcionais. Em outras palavras, o champagne Dom Pérignon Rosé Vintage 2000 contém a essência do luxo e da sofisticação: a excelência da raridade.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Inspiração do Rock

A revista Rolling Stone e a Wines that Rock lançaram um clube do vinho para quem adora um rock. Os associados do Rolling Stone Wine Club têm direito a escolher 3 vinhos da linha Rock da Wines That Rock e ainda ganham um ano de assinatura da revista.

Os enólogos da vinícola buscam ouvir clássicos do rock para se inspirar e criar esses vinhos especiais. Eles procuram capturar toda a atitude do rock e o espírito de cada banda para dar um toque especial ao sabor do vinho.

Os vinhos disponíveis são Grateful Dead Red Wine Blend, The Rolling Stones Merlot, Pink Floyd’s The Dark Side of the Moon Cabernet Sauvignon, The Police Synchronicity Red Blend e Woodstock Chardonnay.




Fonte: Menu Especial/2012

Dicas básicas para iniciantes aprenderem a arte da degustação de cervejas

Aqui vão algumas dicas para que você aproveitar ao máximo suas degustações.
  1. Preste atenção desde o momento em que abre e serve a cerveja. O que você vê? O que você ouve?
  2. Cheire a cerveja. Muitos dos aromas são bastante voláteis, portanto perceptívies por um curto período, então não perca muito tempo e busque logo suas primeiras impressões olfativas. O álcool é perceptível? Lúpulo e malte normalmente são os mais percebidos.
  3. Observe a cerveja. Qual é a coloração? O liquido é claro, transparente? Como é o creme, ou a famosa espuma? Há muitas bolhas? De que tamanho elas são? O que acontece quando você inclina ou gira o copo? Você nota partículas suspensas ou então depositadas no fundo do copo? O líquido tem uma aparência cremosa ou mais líquida?
  4. Cheire a cerveja novamente. Se necessário, gire levemente o copo para que o aroma se solte. O que voê nota? Que aroma predomina? Você sente flores? Ervas? Caramelo? Frutas? Que tipo de frutas? Lembra algum outro aroma que você conhece? Que odores desagradáveis você identifica? Atenção pois após 4 inspirações, os sensors olfativos já começam a ficar confusos e sua avaliação prejudicada.
  5. Beba a cerveja. Antes de engolir, distribua por toda sua boca, para que tenha contato com toda a superfície da língua. Qual é o sabor predominante? É doce? Amarga? Azeda? Você sentiu álcool no final do gole ou então subindo para o nariz? Dedique um tempo para perceber as primeiras impressões.
  6. Beba novamente. O sabor inicial mudou? Como é o final de cada gole? É doce, mas como o que? Caramelos? Chocolates? Frutas? É amarga, mas qual a intensidade e como se combina com o resto? Já experimentou algo parecido? Talvez gengibre, ou então algum tipo de erva? Ou então você nota um toque azedo de limão? Muitas são as possibilidades, inclusive de identificar sabores desagradáveis como remédio e carne.
  7. Beba novos goles. É uma cerveja leve, para ser tomada em grandes quantidades num dia de sol, ou é uma cerveja mais encorpada, para dias mais frios? Você tomaria outra na sequência ou pra você é o suficiente apenas experimentá-la?
  8. Agora tente notar o sabor que a cerveja deixou em sua boca. É um paladar agradável? É duradouro ou desaparece rapidamente? É seco? Amargo? Doce?
  9. Reflita por alguns minutos. Você gostou da cerveja? O que mais te impressionou? É uma cerveja que você teria em sua geladeira? O que te faria pensar duas vezes antes de bebe-la novamente? Você recomendaria para seus amigos?
  10. Se você conhece um pouco sobre o estilo da cerveja, ou se tiver alguma referência por perto, o quanto a cerveja degustada se aproxima da descrição e características do estilo? Ela é melhor ou pior que outras do mesmo estilo que você já experimentou

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Livro da Semana: Bebida, abstinência e temperança na historia antiga e moderna


Lançado em outrubro de 2010, este livro é recomendadissimo para amantes ou não das bebidas e principalmente aos apreciadores de vinhos.

O livro aborda o significado da bebida, seus efeitos, sua relação com o divino e com a história das sociedades e discute a questão da abstinência, do excesso e da temperança, que resultaram na procura de um ponto de equilíbrio e moderação por meio de normas, regras, leis, pedagogias e etiquetas sobre como beber adequadamente, também faz comparações entre diversas fontes filosóficas, médicas e religiosas antigas e modernas.

O professor de história moderna da USP Henrique Carneiro discute também a tensa questão da abstinência, do excesso e da temperança, que resultaram na procura de um ponto de equilíbrio e moderação por meio de normas, regras, leis, pedagogias e etiquetas sobre como beber adequadamente.

Doutor em História Social e membro do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip), Carneiro também é autor da "Pequena enciclopédia da história das drogas e bebidas e de Comida e Sociedade: uma história da alimentação", da editora Campus, e de "Filtros, mezinhas e triacas: as drogas no mundo moderno", "A Igreja, a medicina e o amor: prédicas moralistas da época moderna em Portugal e no Brasil", "Amores e sonhos da flora" e "Afrodisíacos e alucinógenos na botânica e na farmácia", todos da Xamã Editora. Junto com o historiador Renato Pinto Venancio, ele é organizador de "Álcool e Drogas na História do Brasil", da editora Amameda, e com Beatriz Caiuby Labate, Sandra Goulart, Maurício Fiore e Edward MacRae - seus colegas pesquisadores do Neip - de "Drogas e Cultura: Novas Perspectivas", da Edufba.

Deixo aqui algumas perguntas feitas ao professor Henrique Carneiro pela revista Comunidade Segura, onde exclarece melhor alguns pontos tratados no livro:


Qual o principal objetivo do livro "Bebida, abstinência e temperança na história antiga e moderna"?

O principal objetivo do livro é inventariar um conjunto de atitudes sobre o bom e o mau beber ao longo da história ocidental e tentar recuperar noções de virtudes éticas, como a da temperança, como instrumentos úteis para a autogestão das condutas de ingestões, não só de bebidas, como também de alimentos, num sentido de evitar os riscos vinculados a usos problemáticos, abusivos ou compulsivos e buscar uma ética da autorresponsabilidade em relação aos padrões de consumo.


Qual o grau de importância cultural e econômica da bebida ao longo da História?

As bebidas têm uma importância de primeira grandeza de um ponto de vista cultural e econômico. Sempre foram alguns dos mais importantes produtos no comércio desde a Antiguidade até a época moderna. Ânforas com vinho cruzavam o Mediterrâneo na época do Império Romano e o álcool destilado tornou-se, desde o século XVII, um produto central no sistema sul-atlântico, com o rum servindo, ao lado do tabaco e do açúcar, como meio de escambo para o tráfico de escravos. Culturalmente, as bebidas serviram de veículos centrais tanto para a cultura religiosa - de Baco a Cristo - como para o lazer profano.

O livro é dividido em três partes: Antiguidade Clássica, Era Judaica, Cristã e Islâmica e Época Moderna. Por que essa divisão?

Esta divisão busca contemplar a época do paganismo clássico no Ocidente, ou seja, a Grécia e Roma panteístas, o período de advento das três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo) que possuem um tradição vinculada entre si e entre seus livros sagrados e, finalmente, o momento de emergência da sociedade moderna, com suas características de globalização e de revolução científica.


Através dos tempos, nas diversas culturas e religiões, e mesmo dentro delas mesmas, as bebidas alcoólicas e seus efeitos são encarados de formas diferentes, da sacralização ao veto completo. Poderia citar alguns extremos?

As bebidas alcoólicas vão da sua divinização, dos cultos pagãos de Dioniso/Baco ao uso litúrgico no judaísmo e cristianismo, a uma condenação como principais fontes da tentação demoníaca ou dos prazeres carnais, como ocorre entre os espartanos na Grécia antiga, no islamismo ou numa parte expressiva do protestantismo contemporâneo que passou a defender a proibição como meio para se obter uma sociedade totalmente abstinente.

O que pode ser considerado temperança ou moderação? Existe alguma sociedade, religião ou cultura que domine essa qualidade ou os excessos estão invariavelmente presentes?

A moderação ou temperança tem sido um ideal ético, estético e dietético de boa parte das tradições religiosas, filosóficas e médicas. Seu ponto ideal é a equidistância dos extremos, sendo um deles o excesso e o outro a carência. Assim, a abstinência também é um excesso.

Sua formulação vem dos filósofos clássicos como Platão e Aristóteles, passa pelo Cristianismo e chega aos expoentes do Renascimento e da Ilustração, compondo, assim, uma rica tradição que busca ordenar os comportamentos de risco por meio da autoeducação dos cidadãos que devem buscar os seus próprios limites num processo de autoaprendizado espelhado pelo exemplo dos seus parceiros sociais.


As sociedades e culturas podem ajudar os indivíduos a se manter próximos do ponto de equilíbrio? Normas, regras, leis e etiquetas têm se mostrado eficazes?

Sim, as normas e etiquetas são, em geral, mais eficazes do que as leis em relação a condutas pessoais e corporais, pois o consentimento público é mais convincente do que a coerção estatal. De gregos a árabes, de romanos a persas, os usos das bebidas foram regidos por normas éticas, estéticas e médicas, mais do que por leis impositivas.

As sociedades posteriores à Revolução Industrial viram, entretanto, um novo ordenador das condutas, que é o mercado e suas injunções, se tornar o foco da incitação a um consumo excessivo de tudo, levando a padrões desequilibrados que respondem a necessidades de lucro amplificadas pela técnica insidiosa da propaganda. Nesse universo capitalista, as mercadorias se apossam dos indivíduos, levando-os a uma hipertrofia de consumos compulsivos que desafiam as regras e normas da medicina, do equilíbrio e até mesmo do bom senso.